Sorria! Seus dados estão sendo monitorados

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Uso de dados pessoais na InternetTracking ou rastreamento é o processo que permite conhecer três variáveis: “o que” (objeto), “de onde” (origem) e “para onde” (destino). Esse conceito não se aplica somente à bens e produtos, ele também é válido para dados. Ao “navegar” pela Internet, deixamos rastros de nossas ações em URLs (Uniform Resource Locator) e cookies (testemunhos de conexão), que podem ser rastreadas e gerenciadas por softwares.

Sim, é possível saber que você esteve no Portal Terra, navegou na seção de esportes, depois visitou a seção de carros, logou no Facebook – onde curtia páginas sobre esportes e carros – e ao realizar uma busca pela palavra “Ferrari”, clicou no primeiro resultado – um link pago.

A inteligência de cruzar esses dados é a nova corrida do ouro na Internet. Ela acontece virtualmente e tem um objetivo claro: entender o que você procura, de onde, para onde, quando e como. Não é esse o sonho de todo profissional de Marketing? É também a mina de ouro das empresas .com e de publicidade segmentada ! Resultado “quase” garantido para o anunciante.

Quando o Google modificou sua política de privacidade em março, consolidando as mais de 70 regras diferentes – uma para cada produto – em uma só política, a empresa alegou somente transparência e facilidade de entendimento de regras antes desunificadas. Mas não existe almoço grátis. Nem no Google! O botão “DNT” (do not track ou “não rastrear”) define a permissão sobre a coleta e utilização de dados dos usuários para levantamentos, pesquisas de comportamento e diretrizes comerciais. E se o botão “DNT” não for marcado? Nesse caso você também orientará a forma como a informação é exibida em buscas, no Youtube, na rede de blogs e claro,  em anúncios – é através de publicidade segmentada que o Google ganha dinheiro.

A política de uso do Facebook também já foi alvo de polêmicas, já que as fotos deletadas da interface pelo usuário demoravam até 3 anos para serem completamente deletadas dos servidores, podendo ser acessadas diretamente pela URL. Tudo isso compreensível, já que deletar é algo muito complexo para um servidor – tecnologicamente falando – mas os participantes da rede social enxergaram isso como algo ruim. Os interesses dos usuários – as páginas e temas curtidos – também orientam a publicidade que é apresentada a cada um de nós.

Há duas maneiras de encarar: uma é positiva, afinal, ser bombardeado por publicidade em massa como nos antigos portais era o caos da navegabilidade. Se eu odeio futebol por que devo ser obrigada a ver anúncios sobre esse tema? Por outro lado, isso entrega ao Facebook – que pode repassar isso através de API - poder de inteligência de mercado de forma pouco transparente para os usuários. Por que pouco transparente? Porque ninguém lê termos de uso enormes, apenas marcam o checkbox com o “aceito”. Isso não lembra as letras miúdas de contrato? Os esforços das redes sociais em usar vídeos e tutoriais amigáveis para lançamento de novas funcionalidades caberia muito bem aqui, facilitando a compreensão e ganhando em transparência.

Uma sacada é o uso da funcionalidade “Connect with Facebook”, que já foi discutida como estratégia mercadológica aqui no Marketing Drops. Vamos relembrar:

Existe uma razão para essa funcionalidade existir que vai além do óbvio “passamos o dia inteiro conectados ao Facebook”. É que nós, seres humanos, somos naturalmente preguiçosos e odiamos nos cansar. Preencher novos perfis levam à quedas absurdas de conversão e conectando através do Facebook perdemos menos tempo e ficamos mais suscetíveis a participar. Outro ponto é o medo de inserir dados pessoais em cadastros. E tem mais: informação vale ouro na web e ao apertar o botão de connect with facebook você acaba permitindo que o aplicativo saiba que você é solteiro e adora balada, por exemplo. Facilita muito a segmentação e as marcas sabem disso!

Os softwares de monitoramento de mídias sociais também entram nessa vertente. Você sabia que as marcas monitoram o que você posta no Facebook e em comunidades do Orkut? Sorria! Muitos usuários sentem-se lesados ao tomarem conhecimento que suas conversas com amigos são monitorados, quando ocasionalmente citam alguma marca.  Mas as mídias sociais são instrumentos fantásticos para o tomada de decisão. Lá são expressas opiniões, desejos, medos e tudo isso vale ouro para o mundo corporativo. Conseguem entender porque isso é tão importante? Internet é domínio público, seja consciente com o conteúdo que você produz!

No documentário da BBC, fala-se muito sobre Inteligência Coletiva: dados que circulam na nuvem – redes sociais, e-mails, smartphones, sistemas de geolocalização e buscadores que individualmente formam uma extensão de nossa maneira de agir, tomar decisões e pensar. Se isso for projetado de maneira global, temos o imenso poder coletivo das multidões. Gostei do exemplo dado no documentário: “Quanto custa saber quem será o próximo presidente dos EUA?” A analogia é essa!

Não seria fantástico se sempre encontrássemos o que procuramos, com o mínimo de esforço? Essa inteligência de dados permitirá isso. O Youtube já engatinha nesse sentido, ao apresentar vídeos relacionados com aquilo que assistimos anteriormente, assim que acessamos o site. Outro exemplo muito bacana é do Foursquare, que dá dicas baseadas nos lugares que você frequenta e também nos lugares frequentados por pessoas com interesses similares aos seus! Para usufruir dessa incrível vantagem – contar com um dispositivo que conhece seus hábitos e gostos e fornece dicas que realmente funcionam – compartilhamos dados pessoais. Essa troca parece justa?

Temos a tendência de entender tudo isso de forma negativa, como se houvessem os mocinhos de um lado e os bandidos de outro. Mas a vida real não funciona assim. Temos apenas interesses envolvidos. Não levanto a bandeira da total privacidade, apenas acredito que o combinado nunca é caro. Transparência e educação digital são pilares do uso consciente de qualquer plataforma web.

Qual a opinião de vocês sobre o tema? Compartilhe aqui no Marketing Drops! :)

Share a Coke > entenda a ação

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share a cokeUma das coisas mais comuns para o dia a dia de um profissional de Marketing é ouvir comparações com a Coca Cola. Nenhuma comparação com a marca é possível. São anos de publicidade estratégica, muito investimento, branding perfeito e um produto ícone. Mas nem tudo são flores na vida da Coca Cola Company!

Um produto em declínio em tempos de vida saudável levaram a Coca Cola Co. a investir na compra de empresas com marcas reconhecidamente naturais – como a Sucos Del Valle e a Matte Leão. Segundo uma pesquisa australiana, 50% dos jovens não tomaram Coca Cola no último mês! Quantos milhões de litros de refrigerante representam 1% de market share? Na ponta do lápis, até mesmo um produto ícone tem motivos de sobra para preocupação.

Foi em meio à esse cenário que a Coca Cola Austrália desenvolveu a ação Share a Coke! Qual a palavra mais popular entre o target? SHARE! Ou em português, compartilhe. E se o Jack compartilhar uma Coca Cola com a Jane? Estava ali a sacada criativa! Os jovens não compartilham mais refrigerantes, mas encontram-se virtualmente, para compartilhar muitas coisas, lá no Facebook!

Um ponto interessante é a sinergia com o comportamento do consumidor: a vaidade da geração Y é ingrediente importante desse ação. Esses jovens são hedonistas (buscam diversão em tudo) e consideram o próprio nome muito mais fantástico do que qualquer outro!

 

 

Entenda a ação:

 

1. Pesquisa de Mercado: Uma pesquisa foi encomendada para mapear os 150 nomes mais populares entre o público alvo (faixa etária dos 20 aos 25 anos), na Austrália.

2. Ponto de Venda: Os nomes mais populares foram impressos em lotes de Coca Cola, distribuídas em pontos de venda estratégicos. Ao invés da logo Coca Cola, apareciam nomes de pessoas comuns, conforme apontou a pesquisa.

3. Facebook: A FanPage australiana ganhou URL e aplicativo. Ali são exibidos os nomes mais populares – é impossível resistir a procurar o seu – e também pequenos teasers, anúncios em vídeo que mostram o estilo de vida de cada um dos nomes, ou seja, quem está por trás desse nome – criando vínculos fortes de identificação com o consumidor. No aplicativo, era possível customizar uma latinha com o nome de seu amigo(a) e compartilhar no Facebook. Recomendo a visita! O aplicativo também mostra as diferentes facetas da vida de uma pessoa com o nome da campanha “Share a Coke with…”  e frases de efeito como “Josh pulando, Josh feliz, Josh com amigos” em fotos marcantes, o que reforça o quanto somos sensíveis à imagens de outros seres humanos em situações simplesmente comuns e cotidianas, mas felizes.

4. Vimeo e Youtube: As redes virais de  vídeo ganharam edições milimetricamente pensadas para viralizar. Em um deles, a campanha é explicada como um todo. Em outros, as pessoas – ou os nomes – é que ganham o posto de protagonista. São os mesmos teasers que aparecem na Fan Page, dando unidade à comunicação. Ah, o vídeo de agradecimento (que virou moda entre muitas marcas) também está lá.

5. Outdoor Interativo: um outdoor que processava mensagens de celular foi instalado em Sydney. Lá os usuários enviavam SMSs com seus nomes, que apareciam no outdoor, juntamente com a frase: “Share a coke with…”. Fantástico, não é?! A campanha também contava com mídia tradicional como TV, rádio, revista e jornal.

 

 

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