Marcas reais para pessoas de verdade

O final do ano é um período que promove as reflexões. Pensamos naquilo que aprendemos com o ano que passou e também fazemos desejos para o ano que começa. É interessante como essa reflexão sobre o antigo e o novo não acontece somente na vida das pessoas. Ela acontece nas organizações, que usam o período para formalizar o Planejamento Estratégico – em especial para as suas marcas, um dos ativos mais valiosos das empresas.

Segundo o pai do Marketing, Philip Kotler, uma marca é:

Uma promessa em fornecer atributos e benefícios uniformes aos consumidores. Tal qual uma pessoa, uma marca tem uma identidade física ou formal, um carácter, uma personalidade ligada à sua história e aos seus valores fundamentais.

A proposta desse post é refletir sobre o papel das marcas em tempos de Marketing Interativo, no ano em que “Facebook” foi um dos termos mais buscados no Brasil. No post de despedida de 2012, o Marketing Drops apresenta um paralelo entre a ditadura do corpo perfeito e a ditadura das marcas sem falhas. Confira!

Um novo momento para os consumidores

Lori Greeley, CEO da Victoria’s Secret, declarou recentemente que apenas 20 mulheres no mundo poderiam representar a marca em passarelas. Uau! Somos aproximadamente 3,5 bilhões de mulheres no planeta Terra e apenas 20 Angels estão à altura da marca?

Fotos de Capa da FanPage Victoria's Secret

 Não entendam isso como uma crítica à Victoria’s Secret, que faz seu trabalho de Marketing muito bem, mas me chama a atenção a declaração de uma dessas modelos, a americana Erin Heatherthon:

A questão principal é que as pessoas devem ter consciência de seus próprios corpos, tendo força sobre sua própria imagem e sua confiança. Defendo o uso de Photoshop em minha fotos, porque nós não estamos vendendo a realidade, estamos vendendo uma história. É tudo sobre como criar uma fantasia.

Além da declaração soar como um discurso sobre a fome na África em meio à um jantar do tipo rodízio, algo me diz que nem a Erin se sente segura o suficiente para mostrar seu corpo quase perfeito.

Marketing de relacionamento em rede

A dinâmica de redes mudou muita coisa que se entendia como regra absoluta.

John e William McNeill (pai e filho), autores do livro The Humam Web, apresentam uma análise fantástica sobre essa dinâmica – a interconectividade a partir da linguagem – desde a era agrícola até a era digital. Essa análise vem de encontro à Teoria dos Seis Graus de Separação, formulada pelo psicólogo Stanley Milgram nos anos 60, que afirma haver no máximo seis pessoas entre qualquer outra. Ou seja, entre duas pessoas existem apenas seis contatos intermediários, mesmo que elas estejam em lados opostos do mundo.

Novos estudos, realizados após o boom das redes sociais, mostram que esses graus caíram para 4,3. Estamos mais próximos, em laços mais estreitos, em um fenômeno que os estudiosos do Marketing Digital chamam de distorção em redes descentralizadas. Quando estamos virtualizados e hiper conectados, distorcemos as seguintes dimensões:

  • Tempo
  • Espaço
  • Proximidade

Vou me ater ao ponto que mais nos interessa do ponto de vista mercadológico, a distorção da proximidade. Ela diz respeito aos laços dos relacionamentos, fala da mistura dos espectros das relações humanas, quando em coletivo: família, amigos, colegas, conhecidos, vizinhos, marcas que amamos…

Quando distorcemos a proximidade, distorcemos nossos filtros. Podemos expor demais nossa intimidade para pessoas que não possuem um laço suficientemente forte para sustentar isso! E vice versa.

Um grande desafio para uma marca é a compreensão sobre essa via de duas mãos. Não basta querer estar em um espectro de relacionamento, desejar ser o laço forte do seu cliente. Ele tem que querer te colocar ali também. Assim como tudo na vida, a compreensão sobre o que nosso cliente quer, é uma construção. E o que nosso cliente quer, muda muito. Haja estratégia!

O vídeo “Bring the Love Back”, um comercial para TV da Microsoft, brinca com tudo isso: “Você fala que me ama, mas não está agindo como se me amasse”!

Por marcas mais reais

A questão é que nem sempre o cliente quer falar com a marca, as vezes ele só quer que dê tudo certo e esse é um relacionamento saudável e duradouro. Mas, assim como a Angel da Victoria’s Secret precisa de Photoshop, a marca sente como se precisasse de declarações de amor.

Até algum tempo atrás as reclamações eram chamados em um call center, e-mails em uma máquina. Hoje, elas podem ser lidas por todos, estão escancaradas e expostas até mesmo àqueles com quem as marcas não tem laços fortes ou intimidade.

Essa transparência toda é realmente assustadora! Mas, é possível deixar transparecer fraquezas e ser mais sincero com o seu cliente e esperar dele o mesmo.

Para pontuar minha opinião, compartilho com vocês o case Dove Real Beleza. Esse case – que é de Comunicação e não de Antropologia – é apenas a pontinha de um iceberg, um pequeno reflexo de algo mais amplo, mas que não cabe aqui, nesse primeiro momento ;)

O projeto Real Beleza envolveu um diagnóstico super completo e culminou na criação da Dove Self-Steem Fund, uma organização mantida pela empresa Unilever – detentora da marca. Um dos programas, o Real Beauty School Program, consiste em vivências para professores com foco no desenvolvimento da autoimagem dos jovens, para orienta-los sobre como lidar melhor com seus sentimentos e impressões acerca da aparência.

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Nessa construção de marcas, de diálogos e de relações em rede, cada marca pode fazer isso à sua maneira. Fora casos brutais, não existe um certo e errado – Dove e Victoria’s Secrets vão muito bem, obrigada. Cada uma dessas marcas criou laços com suas consumidoras, seja pela via da identificação ou da ilusão, com sucesso. Ambas são verdadeiras e cruéis, já que mostram a mesma realidade, em faces opostas.

Para fechar esse post de reflexão, divido com vocês um pensamento que me ocorre: assim como a ditadura da beleza elege apenas 20 mulheres ao posto de Angels, as marcas também enfrentam uma ditadura à altura, disputando não em quilos e centímetros, mas em bilhões de dólares, o ranking de brand equity das 20 marcas mais valiosas do mundo.

Faz pensar, né?

Adeus ano velho, feliz ano novo

O Marketing Drops existe para entregar doses generosas de informação, em um espaço no qual se propõe compartilhar experiências e opiniões sobre o digital, o colaborativo e o social. Com sorte, consigo ensinar algo a alguém.

Manter o blog é o viver o www e o .com do jeito que mais gosto e dividir minhas ideias é a minha expressão mais verdadeira. Obrigada a todos que estiveram aqui em 2012! Nos vemos no ano que vem!

Marketing no mercado de arte

beatriz-milhazes

A tela ao lado, de Beatriz Milhazes, foi vendida no ano passado por R$ 1,8 milhão em um leilão em Londres. Beatriz só era conhecida por círculos de especialistas e, após a cifra milionária, caiu nas graças da imprensa e ganhou o grande público. Esse acontecimento reacendeu o debate em torno do mercado de arte brasileiro e suas implicações mercadológicas são o tema do post de hoje, aqui no Marketing Drops.

Sobre o post

Sempre acompanhei o mercado de arte, cresci ouvindo histórias sobre artistas e visitando museus. Minha mãe, Ester Renaux, é arquiteta e artista plástica. Veio dela o pedido: “O que o Marketing Digital pode fazer pelo mercado de arte?”. Iniciou-se uma pesquisa de mercado – realizada ao longo de 3 meses com aproximadamente 500 participantes – que mostrou alguns pontos interessantes que discutiremos ao longo deste post.

Percepção

A era do design fez a percepção sobre o que é arte se deslocar. O objeto de design tem um público alvo e se relaciona com um propósito final específico, com determinada usabilidade. Arte não. É pura expressão. Móveis, tapetes, paredes e esculturas ganharam ares de design de produto e o consumidor final reagiu muito bem à isso.

Algumas das razões:

  • Preço: Uma peça de arte será sempre única, exclusiva e impossível de se reproduzir. Exemplo real: se você adquirir uma imitação da Mona Lisa, por mais parecida que seja, não será a Mona Lisa. Essa raridade se relaciona com o posicionamento – preços altos e alto envolvimento na compra.
  • Conhecimento: Justamente pelo posicionamento, a necessidade de conhecer arte é atributo para a compra. Mas conhecer arte não é tão simples. São muitos os movimentos, os artistas e as fases. Essa curva de aprendizado fez com que a aquisição de um painel de madeira com pátina fosse muito mais simples do que a compra de uma tela com alguns “rabiscos”. Consumidores buscam simplicidade e facilidade, sempre.
  • Medo: Conversando com consumidores, encontrei algumas citações comuns. Ex: “Eu não entendo de arte, mas essa tela me parece bonita. O que o artista quis retratar?”. Essa fala diz muito sobre o medo do consumidor, uma dor relacionado ao desconhecimento.
  • Percepção: A pergunta acima me pareceu mais difícil de ser respondida quando a pesquisa apontou que uma grande motivação de compra é o status. Quem compra uma BMW também compra status, o que mostra que o mercado de arte se relaciona muito com o mercado de bens de luxo.

 

Marketing 

Na perspectiva do Marketing Digital, conteúdo é o elo entre marca e público alvo. Realizando alguns testes e adequações à uma estratégia de conteúdo foi possível mapear e mensurar alguns temas de maior interesse, que nos direcionam sobre os anseios do público alvo:

 

a-grande-feira-luciano-trigoVanguarda:

 

Tudo aquilo que é inusitado, diferente e chocante chama a atenção dos consumidores e remete à reflexão. Esse é o cerne da estratégia de muitos artistas, como Vik Muniz, que pinta quadros com calda de chocolate e geléia.  Afinal, isso é arte?

Recomendo a leitura do livro “A Grande Feira”, de Luciano Trigo, uma reação ao vale tudo na arte contemporânea. Segundo o autor, o propósito de crítica com materiais pouco ortodoxos – como fez Picasso ao esculpir o guidão de uma bicicleta – acabou. O que existe agora é uma morte agonizante da arte em detrimento de um esforço de Marketing que tem como único objetivo a repercussão midiática. Luciano cita como exemplos algumas instalações – obras de arte efêmeras – um tanto bizarrasmuros grafitados que são vendidos por cifras milionárias e removidos das ruas, para serem instalados em salas de estar (?), perdendo todo seu conceito junto ao entorno.

Obs: A capa do livro é a obra The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living, do artista Damien Hirst. O tanque de formol com o tubarão foi vendido por 12 milhões de dólares. Dois anos depois, o comprador percebeu que o tubarão estava se decompondo. Artista e colecionador negociaram uma substituição por outro tubarão e não se falou mais no assunto!

Investimento:

O retorno sobre investimento (ROI) no mercado de arte pode ser astronômico e muitas pessoas tem se interessado por esse modelo de “aplicação financeira”. Pela perspectiva de comportamento do consumidor, ao adquirir arte pensando em retorno, não se compra aquilo que é conceitualmente ou esteticamente admirado e sim, aquilo que pode fornecer a maior margem de lucro. O Brasil conta com um fundo de investimento de arte, chamado Brazil Golden Art, e também com uma bolsa de arte, que fica no Rio de Janeiro.

Faça você mesmo

Mais do que comprar arte, querem fazer sua própria arte. Conteúdos que ensinam a remodelar ambientes e reproduzir técnicas de arte são super acessados. Os consumidores querem entender o “como se faz”, colocar a mão na massa e fazer parte de uma história. Um case bacana que retrata tudo isso é a rede social Instagram, um aplicativo para compartilhamento de fotos através do iPhone. O usuário pode aplicar efeitos em suas fotos, vivendo a sensação de ser um fotógrafo profissional.

Ponto de venda

Galerias, museus e salões tornaram-se ambientes um pouco pedantes para os consumidores, que são recepcionados por pessoas esnobes, que falam de artistas – na maioria das vezes desconhecidos – citando somente o primeiro nome e elencando exposições no exterior. Os clientes finais – casais com e sem filhos, entre 25 e 55 anos – preferem contar com prestadores de serviços especializados que os orientem sobre o que fazer. É aí que entram arquitetos, decoradores e designers. Muitas vezes, esses profissionais também estão receosos e estimulam a escolha de objetos estilosos e funcionais, em detrimento da arte. Os comissionamentos – amplamente praticados pelo mercado – são mais atrativos em lojas do que em galeriais, o que retro alimenta o ciclo. Cases interessantes sobre Espaços de Arte do Facebook, muito mais interativos e colaborativos do que as tradicionais galerias são o Ester Renaux Arquitetura & Arte e o FaceArte. Vale o clique!

Conforme a pesquisa for caminhando, postarei aqui no blog minhas impressões sobre o fascinante universo da arte contemporânea! Até a próxima :)

Branding Global: sua marca precisa disso!

branding

O Marketing Drops apresenta 3 diretrizes para a os esforços de marca da “vida real” das empresas. Existe essa crença de que só a Apple pode se dar ao luxo de fazer branding, as demais empresas precisam é vender. MITO!

Uma dica para quem busca fazer branding de qualidade e não pode se dar ao luxo de cometer erros: oriente-se a partir dos objetivos da empresa. Esses objetivos definirão uma linha mestra para a estratégia da marca, que deve orientar como a empresa é percebida, como os consumidores se sentem em relação à proposição de valor e, principalmente, quanto o mercado está disposto a pagar pelos seus produtos. Marcas só existem para agregar valor, pagamos mais por uma marca por confiarmos em seus atributos.

1. Modelo de Negócio

Uma marca não é somente um nome ou um logo. É o que o mercado percebe. Marca não é o seu produto. Com certeza existem concorrentes que vendem o mesmo produto que você, mas não possuem a mesma proposição de valor.

Valor é uma variável subjetiva medida na percepção do cliente.  A proposição de valor tem três componentes: capacidade, que determina o que você pode fazer pelo cliente; o impacto, que diz como o produto ajuda o cliente a ter sucesso; e o preço, ou seja, o quanto o cliente paga por aquilo que ele leva. Nesse post, há mais conteúdo sobre benefícios percebidos.

A chave é estruturar um modelo de negócio consistente e que seja inovador, diferenciando sua marca da concorrência. Como fazer isso? Visite esse blog com dicas sobre estruturação de modelos de negócio inovadores e faça esse exercício para a sua realidade.

2. Consistência

É hora de definir atributos! Lembrando: “A Nike vende atitude. A Disney vende magia! A Porsche vende charme. Você achava que a Kopenhagen vendia chocolates? Não! Ela vende presentes.” Assim que os atributos da sua marca forem definidos, seja consistente. Nada que de ir com a maré e comunicar cada hora uma coisa. Se um dos atributos for a transparência, seja transparente sempre! Se acredita que as falhas não devem ser admitidas, talvez transparência seja um atributo incompatível com a sua marca. O importante é manter o foco e fazer com que esses atributos permeiem todos os processos e que toda a equipe esteja “respirando” esses conceitos. Já imaginou ir para Disney e encontrar atendentes mal humorados e brinquedos velhos, estragados? Isso não combina em nada com quem vende magia… Chega a ser impossível de imaginar!

3. Conexão emocional

Marcas com conexões emocionais são mais fortes do que aquelas com conexões comerciais. Para não sera um mero elo de cadeia produtiva, comunique atributos intangíveis e crie vínculos com seus clientes. Todos nós conhecemos alguma marca com a qual nos sentimos ligados emocionalmente. Eu gosto de citar o exemplo da Nestlé, uma marca afetiva, que a todo momento tenta nos remeter às sensações prazeirosas que tínhamos na infância, ao tomar Nescau ou Leite Ninho. Ela poderia comunicar somente os atributos técnicos nutricionais, mas sabe que nem sempre nos alimentamos daquilo que nos faz bem, na maioria das vezes escolhemos aquilo que nos conforta. Seja legal com seu cliente! Dê à ele um motivo para voltar!

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Para encerrar, a última dica fica por conta de um case fantástico! A Porsche encontrou uma maneira de reforçar o vínculo emocional com seus fãs no Facebook e criou uma versão do carro “911 GT3 R Hybrid” especialmente para agradecer pelo marco de um milhão de fãs em sua página na rede social. A lataria do carro foi pintada com 27 mil assinaturas daqueles que apertaram o botão “curtir”. Sensacional!

 

O que sua marca pode aprender com Justin Bieber

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Deixe os preconceitos de lado. Antes de falar mal de um menino de 18 anos, com um corte de cabelo nada convencional e que sempre chega acompanhado de gritos histéricos de pré adolescentes, reflita. Justin Bieber é um fenômeno viral e ele tem muito a ensinar para sua marca.

Tudo começou com uma mãe coruja de uma pequena cidade no Canadá que postava no Youtube vídeos de seu filho cantando. Em 2007, o empresário Scooter Braun acidentalmente assistiu um dos vídeos de Justin. Ele usou a internet para fazer buscas até conseguir entrar em contato com a mãe dele. Depois de assinar contrato com o pequeno prodígio, na época com 14 anos, Scooter conversou com o cantor Usher, que aceitou conhecer Bieber, depois de acompanhar o desempenho do menino no Youtube. Esse encontro está entre os vídeos mais vistos do canal até hoje. Justin Timberlake também estava interessado nos rendimentos que aquele canal no Youtube – já com milhares de views – podiam trazer, e a repercussão começou no showbizz americano. Ali nascia um fenômeno.

Hoje, 3% dos servidores do Twitter são dedicados ao astro e até a forma de rankear os Trending Topics foi alterada, apenas para que ele desse chance à outros assuntos mais falados. As fãs criaram a hashtag #pattiesson (o filho de Pattie, nome de sua mãe) para burlar o novo critério e coloca-lo de volta ao posto de número um dos TT mundiais. Conseguiram. Wow, show some respect!

Nada pode ser mais web 2.0 do que a história de Bieber, é puro broadcast yourself. Os profissionais de Marketing Digital sabem que 10 entre 10 marcas desejam um viral positivo para chamar de seu. Afinal, o que Justin Bieber nos ensina sobre isso?

Adeque sua oferta ao desejos da sua demanda

Justin Bieber tem um público alvo muito bem definido e também uma proposição de valor adequada aos desejos desse segmento – a geração Y.  São adolescentes e pré adolescentes com todos os anseios que essa fase permite: desejo de pertencimento à um grupo, amplo acesso à Internet e mídias sociais, identificação com a carinha de criança e com o corte de cabelo inusitado e pais com disposição para gastar dinheiro em qualquer produto que estampe o astro. Se a sua marca quer ter sucesso com um determinado público alvo, não basta entende-lo. É preciso adequar produtos e conceitos àquilo que esse público espera.

Exponha-se

Se a mãe de Justin não criasse um canal para divulgar seu filho, ele não teria dado o primeiro passo para o estrelato. Para muitos céticos, a chance de sucesso ao longo desse funil é praticamente nula, mas a verdade é que quem não é visto não é lembrado. Justin se apresentou para Usher e postou o vídeo no Youtube. E se ele houvesse fracassado? Na época seu canal já contava com milhares de assinantes! Foi um risco que ele preferiu correr ao expor sua imagem dessa maneira. A lição é a mesma para a sua empresa: mantenha investimentos em comunicação e corra riscos calculados com a imagem da sua marca.

Dê atenção aos seus clientes de forma genuína

Tá aí um dos grandes talentos de Justin Bieber. Ele responde tweets de fãs quase todos os dias! Para quem conta com mais de 18 milhões de seguidores no Twitter e 41 milhões de fãs no Facebook, essa tarefa não deve ser tão fácil. A forma de escrever nas mídias sociais e a aparente preocupação em interagir com seus fãs faz crescer o engajamento com o público, que retribui viralizando conteúdo, especialmente os de divulgação de singles e shows. Sua empresa tem o hábito de telefonar para clientes e perguntar se precisam de auxílio, se está tudo bem com o produto/serviço adquirido? Caso a resposta seja não, fica fácil entender porque sua marca não é viral. Nossa identificação com quem nos ajuda e ensina é um laço forte, que atrai advogados de marca e evangelizadores. Faça o teste!

Defina um posicionamento e mantenha-se nele

Justin tem jeito e fama de bom moço. Em muitas entrevistas, comentava sobre as regras severas de disciplina que sua mãe impunha, e contava que as respeitava sempre. Caso as notas na escola não estivessem boas, ficava de castigo, longe do celular e do computador. Esse é o posicionamento do cantor: menino obediente e apegado à mãe, que segue regras e tenta levar uma vida normal, apesar do talento e da fama. Posicionamento é aquilo que os outros pensam de você, o espaço que sua marca ocupa na mente do consumidor. Aqui vale a máxima: quem tenta agradar a todos, não consegue agradar ninguém. Defina o posicionamento de sua marca com base em seu  público e proposição de valor. Evite muda-lo ou executar ações não condizentes, a inconsistência invariavelmente leva ao fracasso.

Use capital social ao seu favor

A maior vantagem em contar com alto engajamento é poder usar capital para divulgação. Recapitulando: capital social são todas as pessoas que se relacionam com sua marca através de laços fortes ou fracos. As Beliebers são as evangelizadoras de Justin Bieber e  grandes responsáveis por fazer com que o estilo do cantor tenha virado mania ao redor do mundo. A última grande ação mobilizada pelas fãs foi a tentativa de quebrar o recorde de número de menções em mídias sociais em 24 horas, viral que ganhou as manchetes do mundo. Aqui tem um infográfico muito legal sobre a repercussão da ação no Brasil. Se a sua marca contar com um elevado capital social, poderá usufruir da geração de mídia espontânea totalmente gerada pelo público, exigindo pouco ou nenhum esforço publicitário da marca.

Os agressores existirão. Justin Bieber tem muitos desafetos, mas isso não representa nenhum risco para sua estratégia, já que seu número de evangelizadores é muito maior. Não deixe que eventuais críticas desmotivem o trabalho que está sendo construído. Para aumentar as chances de sucesso, use técnicas de planejamento e gestão de crises.

Como avaliar um site – parte III

como avaliar um site

Hoje vamos abordar a última etapa da avaliação de um site através de atributos técnicos, abordando os pontos interativos e de engajamento (Marketing Interativo). Lembrando: a avaliação começa com os atributos intangíveis, seguida de análise de Arquitetura da Informação, Usabilidade e Web Design.

Leia na íntegra:

Como avaliar um site parte I

Como avaliar um site parte II

Como avaliar um site parte III

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Interatividade

O conceito de ponto interativo é muito importante na hora de avaliar um site. Interatividade é permitir a troca de informações e diálogo entre usuário e empresa. Pesquisas apontam que há proporção direta entre o número de pontos interativos e a taxa de conversão de um site. É a cara da web 2.0! Exemplos de pontos interativos:

  • Seção contato
  • Chat online
  • Comentários em notícias
  • Blog corporativo
  • Funcionalidades para compartilhar em mídias sociais (o botão “Curtir” é um deles)
  • Central de Atendimento
  • Links de acesso rápido para adquirir/conhecer produtos
  • Funcionalidades para fazer “Trial” ou agendar visitas “sem compromisso”
  • Tudo aquilo que permite que o seu cliente converse com a sua empresa

Social Media

Antes do conceito de CG social, haviam empresas que nem inseriam links para as mídias sociais oficias dentro do site. Era um tempo em que não se pensava em usar isso como tática para SEO e poucas marcas possuíam uma estratégia clara sobre social media marketing.

Não basta estar no Twitter e colocar um passarinho no cross content da Home. É ter engajamento, saudabilidade, política de resposta e canais de comunicação. Sem dúvida, é um plus para a presença digital, especialmente para aquelas que apostam no Inbound Marketing como diferencial competitivo.

Exemplos: um canal no slideshare dentro da área de suporte, uma wiki para auxiliar no pós venda e uma FanPage para dinamizar a Comunicação. Nem só de site vive a sua marca! Um case bacana é o da Coca Cola, que realizou um de seus processos seletivos para trainess somente via Linkedin e usava as demais mídias para orientar os candidatos. Um processo que costuma ser estressante – o preenchimento de dezenas de campos de formulário – acabou se tornando interativo.

Conteúdo

Tá aí a grande estrela do Marketing Digital! É por causa dele que visitamos blogs, que voltamos à um site, que seguimos pessoas no Twitter. É só por causa do conteúdo que o Google existe! Para organizar informação na hora de buscar por conteúdo. Por isso, crie conteúdo específico e relevante para cada canal, seja ele o site ou a FanPage.

Lembre-se que o usuário padrão não lê na web, apenas passa os olhos, “escaneando” o conteúdo. Outro conceito importante é o de leitura em F e seu papel no aumento da conversão. (Obs: conversão é tudo aquilo que a sua marca tem como objetivo através do site, desde uma compra ou contato para adquirir um produto até um compartilhar em mídias sociais).

Compartilho com vocês uma excelente palestra sobre conteúdo orientado à SEO que vai ajuda-los muito!

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Chegamos ao fim da avaliação de uma presença digital eficiente. Os atributos técnicos não são somente esses e a profundidade com que podem ser estudados extrapola a síntese dos posts.

Importante: sites que cumprem com essas diretrizes estão otimizados para motores de busca e ganham pontos valiosos em SEO. Mais uma razão para a sua marca contar com qualidade técnica na web.

Espero que tenha gostado! Em caso de dúvida, entre em contato com o Marketing Drops :)

Como avaliar um site – parte II

como avaliar um site

Agora que já sabemos como avaliar um site através de atributos intangíveis, é hora de entender como funciona uma avaliação através de atributos técnicos. Hoje vamos falar sobre Arquitetura da Informação e Web Design. Mãos à obra!

Leia na íntegra:

Como avaliar um site parte I

Como avaliar um site parte II

Como avaliar um site parte III

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Acessibilidade

Sistemas que provêm acessibilidade são plataformas que permitem que todos usufruam dos recursos oferecidos. Pode ser um leitor para deficientes visuais ou um site mobile para quem tem tablet ou celular poder ter uma experiência bacana ao navegar.

Na Internet, o termo acessibilidade tem tudo a ver com a W3C (world wide web consortium), um consórcio com mais de 300 organizações que visam regulamentar as boas práticas e padrões, inclusive de código (HTML, XHTML, CSS, DOM, etc), para o desevolvimento web.

Pensar em acessibilidade é mais do que pensar em “acesso aos cegos”, afinal, os motores de busca também são “cegos” e para otimizar sua presença digital para SEO você precisa pensar nisso!

Para validar o site para estes padrões acesse: http://validator.w3.org e avalie os erros encontrados.

Qualidade do Código

A validação do site pelas recomendações da W3C é muito importante para garantir a qualidade do desenvolvimento de um site.

A linguagem de marcação (HTML, XHTML, XML) e a linguagem de estilo (CSS) tem como objetivo organizar e diagramar o conteúdo das páginas da Internet, exibindo o site para o usuário. Cada uma dessas linguagens possui suas “palavras” e “significados” – tags que possibilitam o entendimento das páginas pelos motores de busca e navegadores – e que compõe o código semântico.

Infelizmente, muitas agências e produtoras web não empregam a forma semântica de usar tags e atributos e acabam desenvolvendo sites repletos de “gambiarras”, formas mais rápidas e baratas de entregar desenvolvimento web. Exemplos mais comuns:

  • Sites desenvolvidos inteiramente como tabelas (que na forma semântica devem ser usadas apenas para dados tabulares),
  • Páginas inteiras que são apenas tags <iframe> apontando conteúdo de outra página sem qualquer desenvolvimento (que na forma semântica são usados para fazer “embed” de vídeos do Youtube, por exemplo),
  • Sites desenvolvidos inteiramente em flash – impossíveis de serem lidos pelos motores de busca e que impedem o compartilhamento de conteúdo.

Usabilidade

Usabilidade é toda uma ciência que estuda a facilidade de usar um determinado objeto ou ferramenta. Quando falamos de um site: é necessário avaliar o fluxo de navegação (onde você clica para ir a uma determinada seção), os menus, nomenclaturas, ícones e lembrar da máxima de um dos papas da usabilidade, Steve Krug: “Não me faça pensar!“.

  • As ações devem ser intuitivas. É terrível quando alguém “tem uma sacada brilhante” e muda uma convenção (Ex: o carrinho de compras de um e-commerce) só para ser diferente.
  • Na web, o óbvio é o que deve ser feito.
  • Usabilidade é pensar em arquitetura da informação – nosso próximo tópico – e organizar o conteúdo de forma amigável.
  • Evite o esforço desnecessário do usuário em cliques (menos é mais) e use cross contents (conteúdo cruzado) relevante.

Sei que é clichê, mas beleza não põe mesa! Site não tem que ser só bonito, tem que gerar conversão e trazer dinheiro pro seu bolso. Não comprometa o resultado por algo que pareça bonitinho, como fontes lindas que na verdade são imagens e impedem o “copiar” e “colar” na hora de compartilhar. Para saber mais, recomendo o site do “Jedi” da usabilidade, Jakob Nielsen, e o Usabilidoido – um blog divertido e útil sobre o tema.

Arquitetura da Informação e Web Design

A arquitetura da Informação é a diagramação de uma presença digital dentro dos preceitos da Usabilidade. Infelizmente, pouca gente dá bola pra ela, por achar que “é só ir montando o site”.

Na hora de avaliar uma agência ou produtora, seja criterioso nesse item e reforce que é um pré-requisito para o desenvolvimento.

Existem avaliações super técnicas baseadas nos objetivos do usuário e micro processos que orientam o desenvolvimento de uma arquitetura eficiente, como a análise heurística e os testes A/B e também os focus groups, que usam fragmentos de público alvo para definir o que vai onde e porquê.

Falando exclusivamente deste tópico, o site da Dermablend é um exemplo de site com muito conteúdo e múltiplas seções no qual é possível se encontrar e ter uma boa experiência.

O web design dará vida ao projeto, propiciando o que é conhecido como experiência do usuário. É interessante notar como a cultura de cada país costuma influenciar esse quesito: americanos adoram sites com visual mais poluído, repleto de conteúdo. Os brasileiros já são mais sensíveis ao layout e gostam de sites que sejam esteticamente agradáveis.

Para ajuda-los a entender mais:

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No próximo post vamos falar sobre engajamento e pontos interativos. Será a última etapa na avaliação de sites, stay tunned!

Como avaliar um site – parte I

como avaliar um site

Vocês já se perguntaram sobre o que faz um site ser bom ou ruim? A partir de hoje começarei uma série de posts ensinando a avaliar um bom website e por consequência, orientando-os a construir uma presença digital relevante.

Vou dividir o conteúdo em etapas, sendo a primeira delas os atributos intangíveis da marca. A partir de então falaremos dos atributos técnicos, para facilitar a compreensão.

Leia na íntegra:

Como avaliar um site parte I

Como avaliar um site parte II

Como avaliar um site parte III

 

Entenda o Branding:

Para começar é preciso falar de branding porque a avaliação de um site começa com o seu objetivo de mercado, aquilo que ele busca alcançar através da internet. Essa história de investir em site apenas para estar na web só funcionava até 1995.

Aponte os benefícios percebidos:

É preciso entender os atributos intangíveis da sua marca, aquilo que ela realmente vende. Como assim?

É preciso lembrar que nenhuma marca vende um produto. Ela vende um benefício.

Você não precisa de um carro, precisa de um meio de locomoção. Não precisa de um laptop, precisa de mobilidade. Não precisa de um celular, precisa de comunicação móvel.  Se sinal de fumaça funcionasse bem, você compraria isso ao invés de um Nokia. Viu só? Atributos intangíveis.

Quem entendeu muito bem esse conceito foi Steve Jobs, que disse: “se eu perguntasse através de pesquisa de mercado o que meu cliente buscava, ele diria um CD com capacidade para 5.000 músicas, jamais explicaria o conceito de um iPod.” Antes de Jobs, Henri Ford também usou o benefício para mudar o mercado, criando o automóvel produzido em larga escala.

Esse tipo de questionamento é muito importante para toda a estratégia, inclusive a de produto e comunicação da sua marca. A Nike vende atitude. A Disney vende magia! A Porsche vende charme. Você achava que a Kopenhagen vendia chocolates? Não! Ela vende presentes.

Mapeie a concorrência:

Percebeu como o que foi falado agora muda até mesmo sua ideia sobre concorrência?

O Mc Donald’s considera como principais concorrentes de seu produto no Brasil os cinemas. Como ele vende diversão e entretenimento para jovens, que geralmente não possuem grana para os dois programas, ele pode perder receita para um filme de ação. Aqui vai outra dica importante: competição pela renda. Quem compete pelo dinheiro do seu cliente com a sua marca? Os principais concorrentes de um curso de MBA podem ser as construtoras, que vendem apartamentos para os recém casados em processo de alavancagem na carreira.

Traduza o foco:

Entender sobre foco empresarial é muito importante para evitar a Miopia de Marketing, típico de quem acha que a Nike vende tênis. Isso pode significar a falência de uma empresa, como aconteceu com alguma ferrovias americanas, que acreditaram que seu negócio não era transporte e sim, malha ferroviária. Foram engolidos pelos aviões e carros.

Avaliação na prática:

A partir de agora, estruture uma planilha  com os principais atributos intangíveis da sua marca. Para cada um deles, dê notas avaliando a comunicação desses atributos no website da sua empresa. Ela vende requinte e sofisticação e o site é todo vermelho? Vende conhecimento e o site foi atualizado ano passado? Hm.. isso merece nota baixa!

 

como avaliar um site através de atributos intangíveis

 

Experimentem começar esse exercício de Marketing. Poucos profissionais fazem isso, e ele será um divisor de águas do pensamento estratégico da empresa.

No próximo post falaremos sobre os atributos técnicos. Até lá! :D